Nora & Psyco

pílulas, drops, cápsulas com visões diferentes sobre assuntos variados

Blockbosta!


Não posso dizer que sou uma pessoa nervosa. Mas também não sou calma. Porém, se tem uma coisa que me tira do sério é ser enganada por lojista, fabricante, empresa.
As megas Blockbuster da cidade fizeram um acordo com as Lojas Americanas. Onde havia uma Blockbuster antes, agora tem uma Americana Express + Blockbuster.
São Lojas Americanas menores com a locadora no fundo. Não achei de todo ruim a fusão. Ter uma loja dessas perto de casa ajuda. Vale para comprar chocolate, shampoo, biscoitos, secador de cabelo (?), fralda descartável, etc.

Há tempos deixei de comprar CDs. Nem sei mais o que é entrar numa loja, escolher e comprar alguns CDs. Em compensação, passei a comprar DVDs. Não só virgens mas os originais de filmes que gosto. Isso porque faço duas coleções: a Psicoteca e a Lesboteca.

A fonte para as compras são sempre aqueles saldões de filmes da Lojas Americanas e da Casa & Vídeo. Dá pra encontrar filmes ótimos por 9,90, 12,90 ou 14,90. Tem ainda os de 19,90 mas esses eu não compro. Espero o tempo passar (pq quanto mais antigo o filme, mais barato ele fica). Dias desses, entrei na Americanas Express + Blockbuster. Estava com a cabeça cheia e resolvi olhar as prateleiras com os filmes. (Ela sabe que se deixar fico horas olhando os DVDs! Ainda bem que estava sozinha!)
Alguns filmes tinham um selo dizendo “Previamente visto ou jogado”. Realmente, achei que tinha me dado muito bem!!! Finalmente, tinha encontrado “Três Vidas e um Destino” e “Transamérica”. Não dei muita importância ao selo e toda animada fui pro caixa. Só que um dos filmes estava sem preço. Todos os outros custavam 14,90.
Bobinha eu, né?
Achei que ia fazer uma compra espetacular para as minhas dvdotecas quando resolvi ser “esperta” e perguntar para a gerente o que significava “Previamente visto ou jogado“. Ou melhor, quantas vezes aqueles DVDs já tinham sido vistos.
Fiquei estarrecida ao saber que aqueles filmes não tinham sido vistos uma ou duas vezes, mas eram filmes que ficavam para serem alugados na Blockbuster. Ou seja, filmes que já tinham sido vistos 1 trilhão de vezes. Tratados de qualquer forma, jogados, batidos, engordurados.
Me senti uma idiota total!!!
Eu quase compro uns filmes que estão nas últimas. E se vc não pergunta, os vendedores não te avisam que caso o filme dê defeito, pode ser trocado no prazo de 30 dias.
Achei totalmente pilantragem!
Na prateleira ao lado, filmes originais por 12,90 e 9,90. Qual vale mais??? O usado, velhaco, xexelento por 14,90 ou o original por 12,90?
Os DVDs de locação deveriam ser vendidos por um preço menor ainda. Mas, como são títulos mais recentes e procurados, eles enganam mesmo! Não falam nada e fica tudo por isso mesmo!
Pode ter certeza que os DVDs que têm esse selo nas Americanas Express + Blockbuster representam o lixão da locadora. Deviam ser os DVDs que já apresentaram defeito ou algum tipo de falha.

Portanto, não compre os que tiverem essa etiqueta. Mas, os outros, os originai, vela a pena! Já comprei títulos como “Meninos não Choram”, “Desejo Proibido”, “Ligadas pelo Desejo”, “Tomates Verdes Fritos”, etc.

Setembro 19, 2007 Publicado por Mari | DVD, filmes, lésbico | | Sem comentários ainda

Vidas em Arco-Íris


Comprei o livro da Edith Modesto na Bienal. Estou gostando demais! Ainda estou bem no começo, mas dá para perceber que tem um dos melhores ingredientes que um livro pode ter: honestidade.
O livro da Edith não quer ser mais do que ele é. Uma coletânea de depoimentos sobre a homossexualidade. São vários universos, histórias, discursos que se encontram nas perguntas feitas pela autora. Com isso dá pra se ter um panorama das dificuldades encontradas por gays e lésbicas. Em várias partes me emocionei com a intensidade dos relatos, com o sofrimento por que passaram alguns dos entrevistados. Ter emoção não transforma o livro da Edith em algo piegas. Pelo contrário! É a realidade daquelas pessoas. De cada um de nós.

Setembro 19, 2007 Publicado por Mari | homossexualidade, livro | | Sem comentários ainda

Notas sobre um Escândalo


Temos assistido a vários filmes. Geralmente, no final de semana, Eu & Ela estamos exaustas da batida da semana. Temos curtido ficar em casa vendo DVDs.
Vimos Notas sobre um Escândalo há duas semanas. Não escrevi antes sobre o filme por falta de tempo mesmo.
Quando lançaram, ouvi comentários de que era um filme lésbico “enrustido”. De certa forma é e não é. Porém, acima de tudo é um filme sobre o desespero a que as pessoas podem chegar decorrente da solidão humana.
Não vou contar a história porque tem gente que ainda não viu o filme. E não é isso que me chamou a atenção na trama.
Em primeiro lugar estão as majestosas atuações de Judi Dench e Cate Blanchet. Perfeitas! Lindas!
Judi Dench é uma das melhores atrizes do cinema mundial atualmente. Cate Blanchet também é muito boa. Quando se junta ótimas atrizes com um excelente roteiro se faz arte!
A personagem Barbara (feita por Dench) angustia a todas nós. A que ponto pode chegar uma velha lésbica a procura de companhias jovens e bonitas? Até que ponto algumas atitudes são atos de”loucura” ou de “cretinice”?
Não há como deixar de pensar na Lei do Biscoito Tostines: Barbara é solitária por que é louca? Ou é louca por que é solitária?
No que a vida (e nossas escolhas) pode transformar a todas nós?
Todas temos um “que” de Barbara. Todas! Qualquer ser humano sente uma certa amargura por estar de “fora” da festa. Todas nós queremos que nosso objeto do amor só tenha olhos para a gente. Que nós possamos ser o seu mundo. Todas nós criamos “historinhas” para justificar nossos atos. Todas nós temos um “diário” mental onde escrevemos nossas verdadeiras opiniões sobre o filho da amiga, a colega do curso, a amiga da amiga e outros. A Barbara é a ácidez que habita em nós. É o limão azedo que engulimos nas relações. É a porrada da vida: quando, por n razões, perdemos a pessoa amada.
A única diferença entre a nossa quantidade de Barbara e a personagem do filme é que no dia seguinte, a gente levanta e recomeça. Dá um jeito de relevar se o filho da amiga é isso ou aquilo, tenta se convencer que a colega do curso pode ter suas qualidades, tenta arrumar um convite pra festa da vida e vai procurar um outro objeto do amor. As Barbaras ficam. Estacionam. São como aranhas. Ficam esperando a mosca se distrair durante o vôo e ficar agarrada na teia. Vendo que os alvos estão totalmente enrolados nos fios, elas começam a ir na direção do inseto. O inocente bichinho, naquele momento, não sabe que será engolido pela aranha. Porém, quando ele menos imagina, ela a prende com suas patas e o arrasta de uma vez só. Não há possibilidade de fuga. De sobrevivência. Ela pega para matar.
Assim são as Barbaras da vida. O mundo está cheio delas. Pessoas que foram totalmente corroídas pela amargura e se tornam perversas. Não no sentido de má, mas são pessoas que passam a achar que podem tudo, já que os outros têm. O pervertido é o que não entende a ética e a moral como os outros. Ele perverte esses códigos. Cria outros, particulares, para inserir no lugar. Isso acaba por justificar todas as suas atitudes.
O importante é não fingir que nossa Barbara existe. Calar a voz dela dentro de nós. Ela existe, está aí e precisa ser olhada, cuidada, administrada. Para que não inche, transborde e queira o que ela não tem. Doa a quem doer. Passando por cima de tudo e de todos. Inclusive, de nós mesmas.

Setembro 19, 2007 Publicado por Mari | filme, loucura, lésbica | | Sem comentários ainda